quinta-feira, 8 de abril de 2010

Jogo da Malha

Material: 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical).

Jogadores: 2 equipas de 2 elementos cada.

Jogo: Num terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.

Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.

Jogo do Pião


O jogo do pião praticado especialmente pelos rapazes durante a primeira metade deste século volta a surgir sobretudo nos pátios das escolas.

Disposição inicial:
Pode tratar-se de uma competição com tempo fixado, ou de um encontro em que o pião deve tocar nos piões dos restantes jogadores e projectá-los para fora de um círculo de jogo traçado no solo e continuar por si só a girar, considerando-se fora de prova os piões que saírem desse mesmo círculo.


Desenvolvimento:


O movimento resulta de um cordel enrolado à volta do pião. O cordel segura-se com a mão por uma das extremidades o qual desenrolando-se o faz girar.


Participantes:
Pode ser jogado por uma ou mais pessoas.


Material:
Pião e cordel.

Berlinde

Material: Berlindes (esferas de vidro ou metal)

Terreno: Terra batida e plano

Número de Participantes: Vários

Objectivo: Meter os berlindes nas covas

Desenvolvimento: Fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.

Jogo de Saltar à Corda


Regras:


O Jogo de Saltar à Corda, podia ser disputado por várias participantes ao mesmo tempo (corda grande) ou individual (corda pequena).
Numa corda relativamente grande, duas participantes pegavam nas extremidades fazendo-a balançar, em movimento circular (dando à corda).
As participantes, individualmente, entravam na corda e sempre saltando de acordo com o movimento da corda. Tinham que manter-se dentro durante determinado tempo previamente designado. Pela mesma forma tinham que sair, tudo isto, sem interromper o normal andamento da corda.
Também era jogado com vários concorrentes ao mesmo tempo, que tinham que entrar e sair, sempre saltando, de acordo com o fosse determinado e conforme a ordem de participação dos concorrentes.
Perdia a participante que prendesse a corda, deixando por isso de rodar e, quando isso acontecesse, essa concorrente era penalizada sendo excluída do jogo, podendo ainda ter que tomar o lugar de pegar na corda (dando à corda).
Nestes jogos de Saltar à Corda, ganhava sempre o concorrente que durante as provas tivesse menos faltas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Lenda “a moura de Marialva e o mouro de Casteição”


Em Marialva e em Casteição viviam dois encantados: em Marialva uma moirinha muito bonita e em Casteição um mouro muito negro.


Ele estava apaixonado por ela mas ambos andam presos ao seu destino e ninguém conhece a chave para eles cortar o encanto e libertá-los.


Na madrugada de S. João já os têm ouvido. Ele grita lá do alto de Casteição.


- Ó moura, mourinha de Marialva cara bonita, pernas de galga!


Ela responde:


- Ó mouro, mourão de Casteição cara farrusca, pernas de cão!


E ficam assim toda a noite.

O Homem dos Tamancos (Ranhados)

Houve numa aldeia de Portugal, em tempos idos, num homem comerciante que, frequentes vezes, se ausentava do lar para ir em cata da sua vida. Ora nessas jornadas ele tinha de passar à beira de umas «alminhas» que havia na margem do caminho. As «alminhas» estavam pintadas num nicho de pedra e. Como sempre, figurava ali, também, na sua figura esguia e rubra, o diabo.



O homem ao passar, benzia-se rezava um «padre-nosso» e deitava numa caixa duas moedas para as «alminhas» e uma moeda para o diabo.



Aconteceu, uma vez, comer ovos cozidos numa estalagem da cidade e, querendo pagá-los, ver-se sem dinheiro. O estalajadeiro indignado resolveu levá-lo ao tribunal pedindo uma grande indemnização pelos ovos, pois estes, em sua opinião, dariam frangas, as frangas seriam galinhas, as galinhas poriam ovos que por certo, haviam de dar novas galinhas… A indemnização era avultada e o homem, pobre demais para pagar.



Ora, no dia em que teve que responder, passou mais uma vez aquele caminho, à beira das «alminhas». Sentado junto do nicho, estava um homem esguio e rubro como o demónio da pintura, mas envolto num vasto capote serrano, calçando compridos e pesados tamancos que faziam lembrar duas canoas do rio.



- Olá! Que tens? – Perguntou o homem dos tamancos numa voz metálica.



O comerciante contou-lhe dos seus infortúnios e da injustiça do hospedeiro. O encapotado disse-lhe que não se assusta-se, que o iria defender, que esperasse no tribunal. O homem agradeceu e apresentou-se à justiça.



Chegaram as horas da audiência e o advogado do réu não aparecia.



Impacientava-se o juiz com a espera, o estalajadeiro com a demora, e todo o público com tão longa expectativa. Por fim passado muito tempo, quando o juiz estava para suspender a audiência, eis que entra no salão do tribunal o defensor, arrastando seus pesados tamancos, envolto no capote serrano.



- Porque tardaste tanto senhor? – Perguntou o magistrado – senhor doutor juiz, volveu o homem dos tamancos, como sou lavrador, estive a cozer batatas para semear. – A cozer batatas para semear? (inquiriu o juiz espantado) nunca tal ouvi em minha vida, nem por certo os senhores jurados! Como pode ser isso?



Então o homem dos tamancos volveu, à queima-roupa:



- Do mesmo modo, senhor juiz, que os ovos cozidos podem dar galinhas…



Não foi preciso mais. A defesa estava feita e com tanta evidência que o homem mercador regressou em paz à sua aldeia.

Lenda do Aveloso “O homem macaco”


Gostaria de vos poder contar tudo acerca deste homem que durante muitos anos foi noticiado em todos os jornais, nacionais e estrangeiros. Mas o mais que nós falemos dele ou escrevamos é muito pouco, porque este homem virou história ou até quem sabe lenda. Com esta pequena história nada mais pretende, se não contar-vos alguns episódios desde fenómeno que nunca ninguém chegou a descobrir; mesmo até depois de ela morrer, nos estudos que lhe fizeram no seu corpo. Mas algumas aventuras deste nosso herói não foram contadas, em nunca chegaram a ser e assim a narrativa ficará sempre em aberto. Mas talvez nós continuamos a aprofundar ou descobrir outras aventuras, talvez a sua continuação possa dar origem a uma história, como a do Tarzan “homem macaco”.


Mas quem era afinal de contas esse extraordinário homem que ficou conhecido por “homem macaco”?


Nasceu em 1882 na freguesia do Aveloso, do concelho da Meda, distrito da Guarda. Chamava-se Albano de Jesus Beirão, mais conhecido por “ homem macaco”.


Tinham-no visto dar urros com mais força do que os de um cavalo; tinham apreciado os seus saltos incríveis; tinham-no visto desafinar cavalos e burros às parelhas quando estavam no ferrador; a sua força descomunal; a sua insensibilidade aos ferimentos; a sua adaptação aos espaços mais apertados, e, no termo daqueles trabalhos, o efeito de uma descarga de energia humana por força de uma grande quantidade de liquido, que tanto podia ser comida preparada para os povos, como de um balde de cal para trabalhos de construção civil. Um fenómeno humano nunca totalmente desenvolvendo! O inicio dos seus trabalhos, foi aos sete anos, do que foi o seu crescimento e das voltas que deu pelo mundo, quer percorrendo todos os países da Europa, numa missão cientifica, quer sobrevivendo em Angola, durante dois anos, lançado no mato para que lá pudesse encontrar o seu fim.


Sua mãe morreu, cansada de tudo procurar para curar o mal de um filho de uma doença que ninguém mais tinha.


Assim ela deixou de comer e de beber, fora emagrecendo, ficara seca, “seca como as palhas” e o deixou órfão ainda bastante novo.


O terror das grandes cidades, o “homem macaco”, teria agora precisamente 110 anos, morreu com 94 anos.


O rei d. Carlos, deu-lhe uma pensão com a condição de não voltar a perturbar a vida dos lisboetas, e da morte que causou a um bombeiro do porto, quando subiu, pelo exterior, a famosa torre dos clérigos, depois de já ter subido a estátua lisboeta do Marquês de Pombal.


No próximo da sua força física, com pouco mais de 20 anos, foi conduzido para a África num vaso de guerra. A marinhagem atirou-o 2 vezes para o mar. Não sabia nadar, mas, na situação de pânico em que ficava, surgia-lhe o ataque, adquirida força, tornava-se leve, muito leve, conseguia nadar e saltar para o barco em pleno andamento, provocando o maior medo à tripulação, que supunha que ele se iria vingar.


A sua história está por fazer: em bom rigor ela está ainda por contar. Terá sido contada de forma indirecta, porque, a meu ver ele terá inspirado, com os acontecimentos de África, a figura do Tarzan, que o cinema tornou famoso.


Com efeito foi em 1912, quando albano beirão tinha trinta anos e já estivera em África e percorrera a Europa, tornando-se um caso mundial, que o escritor Edgar Rice Burroughs escreveu um guião cinematográfico que intitulou Tarzan – homem macaco, que veio à luz do dia, nesse ano, na revista “ all story”.


Não deixa de ser estranho, que o primeiro filme sonoro de Tarzan, baseado numa novela deste autor, e feito em 1932, se tinha intitulado Tarzan - “ homem macaco”.


Não obstante a composição do personagem ao jeito Hollywood esco, tipicamente americano, alguns pormenores elas contêm que bem parece provir dos feitos do português Albano Beirão. Não se trata de um homem que provém da civilização europeia e que sobrevive em condições fora do comum?


A história de Albano Beirão está, rigorosamente, por contar. Muitos, que a conheceram parcialmente, acham – na verdadeiramente original, um caso único, já que merecera um sério estudo por um médico para psicológico, vindo da Holanda o convite da Fundação Gulbenkian. Mas ela parece sobressair, sem grande dúvida, a verosimilhança dos seus efeitos com os de Tarzan, que desde Burroughs a hugh Hudson, director do último filme sobre esta mítica figura, muito fazem recordar os de Albano Beirão a quem tenha conhecido alguma coisa da sua vida ou tenha contactado directamente. Não teria Tarzan nascido, desde modo, em Portugal? Se assim foi, “o seu primeiro grito” foi ouvido entre nós...